Arroz de polvo com linguiça
- karinaalfenas

- 10 de jan.
- 3 min de leitura
Sou dessas que ama polvo. Amo preparar, amo comer e amo respeitar o tempo que esse ingrediente pede. Aqui em casa, sempre faço o polvo no sous-vide, com calma, carinho e precisão… e deixo porções congeladas. É o meu pequeno tesouro marinho pronto para virar prato bonito, intenso e cheio de história.
Hoje, ele virou arroz de polvo com linguiça — uma combinação que pode parecer inusitada à primeira vista, mas que dá muuuuito certo. Daquelas que surpreendem, abraçam e pedem repeteco.
Esse prato tem raízes profundas: o arroz de polvo nasceu nas comunidades pesqueiras portuguesas e mediterrâneas, fruto da criatividade dos pescadores que aproveitavam tudo: o polvo abundante, o caldo rico do cozimento e o arroz como base. Um prato humilde, feito do que o mar oferecia, mas carregado de sabor e identidade. Em Portugal, ele se tornou um clássico absoluto, passado de geração em geração, símbolo da cozinha simples, honesta e profundamente saborosa. Com o tempo, viajou. Cruzou oceanos. E, como toda boa receita viva, se transformou.
No Brasil, ganhou novas leituras — e uma das mais deliciosas é a adição da linguiça. Especialmente no Sul, como em Santa Catarina, onde ingredientes como a linguiça Blumenau criaram uma fusão linda entre o sabor do mar e a tradição alemã-brasileira. O resultado? Um prato mais robusto, levemente defumado, intenso e absolutamente envolvente.
O segredo continua sendo o mesmo:
✨ o arroz cozido no caldo do polvo, absorvendo cada gota de sabor
✨ azeite, alho, cebola, tomate, vinho branco, ervas
✨ textura cremosa, perfume marcante e alma de comida feita com tempo
É um prato que conta histórias, de pescadores, de viagens, de encontros culturais… e, hoje, da minha mesa também.
Porque cozinhar assim — com técnica, memória e afeto — é uma das formas mais bonitas de ser feliz no simples.
Usei um polvo PCD (Polvo Com Deficiência), médio, que o coitado só tinha 7 tentáculos... Limpei, temperei com sal, pimenta moída, azeite, 1 cebola e um pedaço de alho-poró. Cozinhei no sous-vide por 5h a 76ºC. Este já estava congelado há 2 meses, esperando o momento exato de entrar em cena. Descongelei/restaurei em sous-vide a 60ºC (só até descongelar).

Para 2 pessoas usei -Azeite de oliva
-Linguiça fina em pedaços pequenos (usei a da swift apimentada)
-½ cebola, em brunoise
-2 dentes pequenos de alho confit
-1 taça de vinho branco seco
-120 g de arroz (2 medidas)
-Caldo do polvo coado (4 medidas)
-Polvo cozido
-Sal, a gosto
-Páprica defumada, uma pitada generosa
-Tomilho fresco, 2 raminhos (somente as folhas)
-Raspas de limão-siciliano, para finalizar
Em uma panela de fundo grosso — usei uma de ferro, que faz toda a diferença — coloquei um fio generoso de azeite e dourei bem a linguiça, cortada em pedaços pequenos. É aqui que o prato começa a ganhar profundidade: deixe dourar de verdade, até formar aquele fundo cheio de sabor. Entrei com meia cebola em brunoise e os dentes de alho confit. Suei lentamente, raspando bem o fundo da panela para soltar tudo o que a linguiça deixou ali.
Acrescentei uma taça de vinho branco e continuei raspando — nada se perde, tudo vira sabor.
Juntei então o arroz, o sal e finalizei com uma pitada generosa de páprica defumada.
Coado, o caldo do polvo entrou na proporção certa: 4 medidas de caldo para 2 de arroz. Mexi bem, deixei a panela semi-tampada e cozinhei por cerca de 10 minutos.
Enquanto isso, piquei cerca de 3 tentáculos do polvo já cozido e reservei.
Passados os 10 minutos, desliguei o fogo, tampei a panela e deixei descansar por mais 10 minutos. Sim, ainda havia caldo — e é exatamente isso que garante um arroz perfeito: ele termina de cozinhar no vapor, ficando soltinho e cheio de sabor.
Depois do descanso, mexi delicadamente, acrescentei o polvo picado, ajustei os temperos e finalizei com tomilho fresco desfolhado.
À parte, em uma frigideira de ferro bem quente, dourei os tentáculos inteiros restantes, até ficarem marcados e levemente crocantes por fora.
Na hora de servir, finalizei com raspas de limão-siciliano, que iluminam o prato e equilibram toda a intensidade.
Mar, fumaça e afeto numa panela só




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